sábado, 6 de janeiro de 2018

Nico Assumpção

Nascido em São Paulo em 13 de agosto de 1954, Nico Assumpção é considerado um dos maiores contrabaixistas brasileiros e do mundo. Seu pai era apaixonado pelo contrabaixo acústico e tocava o instrumento amadoramente em casa. Incentivado pelo pai Nico começou a ter aulas de violão aos dez anos de idade. Na adolecência fã de rock, Nico começou a tocar contrabaixo para preencher a vaga na banda de escola. Nunca mais largou o instrumento, dedicando a ele boa parte do seu dia.

Com dezessete anos foi estudar harmonia e composição na Califórnia, de volta ao Brasil estudou com o pianista do Zimbo Trio, Amílson Godoy e começou a ganhar seus primeiros caches como músico, tocando em casas noturnas, vinhetas comerciais e algumas gravações. Mais experiente e sem a menor dúvida de que seguiria a carreira musical, Nico foi mais uma vez aos EUA, desta vez para Nova York, onde logo estaria tocando ao lado de Don Salvador, Fred Hersch, John Hicks e Victor Lewis.

De volta ao Brasil em 1981, Nico lançou o primeiro disco brasileiro de baixo solo, ajudando a tirar o contrabaixo de lá do fundo do palco. Um depois mudou-se para o Rio de Janeiro, tornando-se um dos músicos mais requisitados tanto para gravações (participou de mais de 400 delas) como para acompanhar músicos de renome como: Marcio Montarroyos, Raphael Rabello, Hélio Delmiro, Luis Avellar, Victor Assis Brasi, Toninho Horta, entre outros, além de gravar e acompanhar grandes nomes da MPB como: Milton Nascimento, João Bosco, Edu Lobo, Caetano Veloso e Gilberto Gil, para citar alguns.

Sua carreira internacional não é menos impressionante. Nico Assumpção deve ter dado algumas dezenas de voltas no planeta, acompanhando outros músicos, gravando como convidado especial ou apresentando-se em festivais. Alguns dos grandes nomes do jazz com quem ele tocou são: Kenny Barron, Billy Cobham, Larry Coryell, Eliane Elias, Ronnie Foster, Joe Henderson, Lee Konitz, Michel Legrand, Jack DeJonhnette, Pat Metheny, Airto Moreira, Flora Purim, Sadao Watanabe e Phil Woods.

Nico Assumpção faleceu vítima de câncer em janeiro de 2001.

Cristovão Bastos

Cristovão Bastos, nascido no bairro de Marechal Hermes, na cidade do Rio de Janeiro, em 3 de dezembro de 1946, é compositor, pianista e arranjador.

Respeitado e admirado por grande parte da música brasileira, estudou teoria musical e acordeom desde cedo, formando-se aos 13 anos, quando iniciou sua carreira, tocando em bailes com a banda de “Creso Augusto”. Sua estréia como pianista foi aos 17 anos, numa boate em Cascadura, subúrbio do Rio de Janeiro. 

Foi um dos fundadores da Banda Black Rio, participando de sua primeira formação e do primeiro disco “Maria Fumaça” em 1976. No mesmo ano participou como solista, juntamente com flautista Copinha, do disco Memórias Chorando de Paulinho da Viola. 

Parceiro de grandes nomes como Chico Buarque — com quem compôs “Todo Sentimento” —, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Luciana Rabello  e Abel Silva. Cristovão criou e assinou arranjos para discos e shows de Nana Caymmi, Edu Lobo, Elza Soares, Emílio Santiago, Fafá de Belém, Gal Costa, Nelson Gonçalves, Paulinho da Viola, Ângela Maria, Chico Buarque, entre outros. 

Algumas de suas composições estão registradas nas vozes e instrumentos de nossos maiores intérpretes, como Zezé Gonzaga, Simone, Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Verônica Sabino, os grupos Época de Ouro e Nó em Pingo D’água, Maria Creuza, Paulinho da Viola, Elizeth Cardoso, Emílio Santiago, Zé Nogueira, Mauro Senise, Marco Pereira, entre outros. Em 1998, a cantora Clarisse Grova gravou Novos Traços, disco de músicas inéditas de Cristovão e Aldir Blanc. Barbra Streisand gravou Let´s Start Right Now, versão da música Raios de Luz parceria dele com Abel Silva, no álbum A Love Like Ours (1999). 

Com Aldir Blanc, Cristovão compôs Resposta ao Tempo, tema de abertura da minissérie Hilda Furacão, da Rede Globo (1998) e Suave Veneno, da novela Suave Veneno, Rede Globo (1999), ambas gravadas por Nana Caymmi. 

Em seus 50 anos de carreira, Cristovão recebeu diversos prêmios, entre eles oito Prêmios Sharp como compositor, arranjador, instrumentista e melhor disco instrumental, com “Bons Encontros”, em parceria com Marco Pereira; Em 2008 recebeu o Prêmio Tim, como melhor arranjador com o disco “Paulinho da Viola – Acústico MTV”. Em 2011 o Prêmio da Música Brasileira como melhor arranjador, com o disco “Tantas Marés” de Edu Lobo. 

Lançou dois discos solo, o primeiro "Avenida Brasil", em 1997 e o segundo “Gafieira Suburbana”, em 2008, contendo composições suas.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

André Mehmari

Pianista, arranjador, compositor e multiinstrumentista. Músico de destaque no cenário nacional, é autor de composições e arranjos para algumas das formações orquestrais e câmera mais expressivas do país, como OSESP, Quinteto VIlla-Lobos, OSB, Quarteto de Cordas da Cidade de S.P, entre outros. Como instrumentista, já atuou em importantes festivais brasileiros como Chivas, Heineken, Tim Festival e no exterior, como Spoleto USA e Blue Note Tokyo. A discografia já reúne oito cds solo, além de participações em numerosos projetos.
André Mehmari nasce em Niterói em 22 de abril de 1977 e encontra a música ainda na primeira infância, influenciado pela mãe, a quem assistia tocar piano na sala de casa. O interesse pela música persiste e aos oito, ingressa numa escola de música em Ribeirão Preto, para onde a família havia se mudado. Nessa época, descobre o jazz e a improvisação.
Aos 11 inicia carreira profissional e aos 13, integra trios, quartetos e faz apresentações solo em casas especializadas em jazz. Desta época datam as primeiras composições e arranjos para grupos musicais da cidade. A precocidade do jovem músico vira notícia na TV, jornais e revistas. Ainda adolescente, começa a ensinar música e compõe pequenas peças de caráter didático, a convite de uma escola de música local. O resultado, 21 Peças Líricas, é um moderno complemento para musicalização infantil, aplicado com grande sucesso.
Por duas vezes, é selecionado para participar como bolsista do Festival de Inverno de Campos do Jordão (1993 e 1994). Em 93 é orientado por Roberto Sion e Gil Jardim, integrando a big band do festival, com a qual atua até 96. Em 94, tem a oportunidade única de conhecer o lendário maestro Moacir Santos, participando de sua classe de arranjo. Depois, realiza seu primeiro concerto com composições próprias no Festival Internacional Música Nova, em Ribeirão Preto (1995). Pouco depois, retornaria para o Festival de Inverno de Campos do Jordão como solista acompanhado pela Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo (1999).
Muda-se para São Paulo em 1995, para prosseguir os estudos de piano erudito com Amílcar Zani no Departamento de Música da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Paralelamente ao estudo autodidata de arranjo e composicão na biblioteca da faculdade, freqüenta aulas de Willy Corrêa, Olivier Toni, Régis Duprat e Lorenzo Mammi, entre outros. Assim inicia a fase dos prêmios e distinções.
Recebe duas vezes o Prêmio Nascente (USP-Editora Abril): na categoria Música Popular-Composição, com os temas “De Sol a Sol” e “Capim Seco” (1995), e na categoria Música Erudita-Composição, com “Cinco Peças para Quatro Clarinetes e Piano”, dedicada ao grupo de câmara Sujeito a Guincho (1997).
Em âmbito nacional, conquista o primeiro lugar no Prêmio VISA de MPB Instrumental (1998) e é amplamente elogiado pela crítica e público. É assim que grava seu primeiro disco, pela Gravadora Eldorado, ao lado do contrabaixista Célio Barros, também premiado no certame. Pouco depois, os dois se juntam ao baterista Sergio Reze e lançam o CD “ Odisséia” (1998), baseado na improvisação total.
Participa como co-autor e pianista no disco-balé “Soprador de Vidro”, de Gil Jardim, tendo uma composição sua interpretada por Milton Nascimento (1998). Cria e grava a música do balé “Sete” (1999), produzido pela Companhia Paulista de Dança, inspirado em textos de Nelson Rodrigues.
A convite da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, compõe e rege “Enigmas para Contrabaixo e Sopros”, para o concerto comemorativo dos dez anos de existência do grupo. Escreve uma peça para concerto especial da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) com a Banda Mantiqueira, sob regência de John Neschling, que se torna CD (2000).
Após conquistar o primeiro lugar no concurso nacional de composição “Sinfonia para Mário Covas” com sua Sinfonia Elegíaca, o multiinstrumentista lança o álbum “Canto” (1999), onde toca cerca de vinte instrumentos musicais. No Heineken Concerts, marca presença como pianista e arranjador, ao lado de Mônica Salmaso, Proveta, Rodolfo Stroeter, Tutty Moreno e Toninho Ferragutti (2000). No ano seguinte participaria do Chivas Jazz, no quarteto de Moreno.
Com a composição “Omaggio a Berio”, baseada na música do compositor itaiano Claudio Monteverdi (1567-1643), vence o concurso nacional de composição “Camargo Guarnieri” (2003), promovido pela Orquestra Sinfônica da USP.
Por ocasião dos 450 anos da cidade de São Paulo, compõe “Sarau pro Vadico”, uma fantasia para orquestra sinfônica e quinteto de clarinetes, a partir de temas do compositor paulistano Oswaldo Gogliano, o Vadico. A estréia se deu no Theatro Municipal da cidade, com a Orquestra Experimental de Repertório. No mesmo ano, grava o álbum “Lachrimæ” onde equilibra composições próprias com clássicos da nossa música em arranjos de grande originalidade. Com distribuição mundial, no inovador formato Super Audio CD, Lachrimae vem recebendo elogios da crítica, no Brasil e no exterior.
Em duo com Ná Ozzetti, lançou "Piano e Voz", considerado pela crítica uma obra prima. Ainda em 2005, compôs o quinteto para piano e cordas "Angelus", encomendado pelo Quarteto de Cordas de São Paulo por ocasião dos 70 anos do grupo, com o qual se apresentou como pianista. Suas composições têm sido executadas por alguns dos mais expressivos grupos de câmara e orquestrais brasileiros. Recentemente apresentou um programa com composições suas dedicadas a Mozart, com a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.
Em julho de 2006, sua "Suíte de Danças Reais e Imaginárias" (encomendada em 2005 para o concurso internacional de regência) foi estreada pela OSESP na Sala São Paulo e tocada na abertura oficial do festival de inverno de Campos do Jordão. Ainda em 2006 participou com seu trio no TIM Festival, no palco de jazz, compôs o balé " Atmosferas" (para a compania Cisne Negro, por encomenda da Banda Sinfônica do Estado de SP) e lançou o DVD "Piano e Voz" com Ná Ozzetti. Recebeu o prêmio Carlos Gomes de música erudita brasileira na categoria "revelação do ano" e foi nomeado 'compositor residente' da BESP.
Criou fantasias orquestrais baseadas na música de Jobim, Villa-Lobos e Chico Buarque, apresentadas no Maracanã, na cerimônia de abertura dos Jogos Panamericanos Rio 2007, obtendo grande sucesso. Ainda em 2007 teve uma composição sua (com letra de Arthur Nestrovski) interpretada por Maria João Pires, Ricardo Castro e grupo de câmara, numa Schubertíade, em Madri. Atuou como pianista na orquestra brasileira da compositora Maria Schneider em festival realizado em Ouro Preto (Festival Tudo é Jazz) . Lançou dois Cds, 'Contínua Amizade' (CD vencedor do Prêmio Rival/Petrobrás na categoria instrumental) e Gismontipascoal (Prêmio da Música Brasileira), dedicado à música de Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal, em duo com o bandolinista Hamilton de Holanda. O CD 'de Árvores e Valsas...' , foi seu primeiro trabalho dedicado inteiramente `as suas composições.Este CD também figurou em algumas importantes listas de 'melhores do ano'.
Em 2008 participou com Ivan Lins da edição comemorativa de 30 anos do projeto Pixinguinha, em turnê pelo nordeste do Brasil. Escreveu um divertimento para clarinete, piano e banda sinfônica, atuando como solista ao lado de Gabriele Mirabassi e BESP. Com o album 'Nonada' foi indicado ao Grammy Latino. Estreou em novembro, concerto inédito para trio de jazz piano e orquestra de cordas na série de câmara da OSESP, na prestigiosa sala São Paulo, com lotação máxima.
Estreou em novembro de 2009, concerto inédito para trio de jazz piano e orquestra de cordas na série de câmara da OSESP, na prestigiosa sala São Paulo, com lotação máxima. Entre as composições do ano de 2009, destacam-se o balé "Ballo" para a São Paulo Companhia de Dança, Concerto para Fagote e Cordas e Strambotti, para clarinete, acordeom e cordas, além de quatro obras baseadas em sonatas de Scarlatti, estreadas na Itália pelo renomado pianista Andrea Lucchesini. Criou e estreou o espetáculo 'Afetos', onde explorou inusitadas pontes entre a música barroca e a canção brasileira.
Lançou no mesmo ano o CD Miramari (registrado em 2008), com Gabriele Mirabassi, recebido como um dos melhores discos do ano. Em 2010 escreveu Contraponto, Ponte e Ponteio, para a Orquestra Petrobras Sinfônica, estreada sob regência de Isaac Karabtchevsky no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Sob encomenda da Deutsche Welle (TV alemã) escreveu 'Cidade do Sol', para a Sinfônica Heliópolis. A obra foi estreada com sucesso no Beethovenfest, em Bonn, Alemanha. Acaba de lançar novo CD com Hamilton de Holanda, Gismontipascoal (Prêmio da Música Brasileira), dedicado à música de Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal.
Afetuoso, lançado em 2011 no Japão pelo selo Celèste, volta ao formato de trio. Canteiro, álbum duplo que conta com muitas participações especiais é o primeiro CD dedicado à sua produção de canções. Lançou em 2012 o álbum Triz, em parceria com Sérgio Santos e Chico Pinheiro. Em 2010 assinou contrato com o principal selo italiano comtemporâneo, EGEA, para o qual irá gravar cinco discos nos próximos anos. Gravou em 2011 um DVD/CD em parceria com a Orquestra a Base de Sopro de Curitiba. Em 2012 estreou um duo de pianos com o português Mário Laginha dentro do projeto "Casa de Bamba" para o qual foi o primeiro 'artista residente' convidado do Auditório Ibirapuera.
Em 2015 iniciou duos com o bandolinista Danilo Brito e o multiinstrumentista Antonio Loureiro. Lançou 'As Estações na Cantareira', com Sérgio Reze e Neymar Dias.
Desde 2014, Mehmari conta com o apoio da Yamaha Musical do Brasil para seus concertos e recitais.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Milton Banana

Milton Banana nasceu no dia 23 de abril de 1935 e faleceu em 22 de maio de 1999 no rio de Janeiro. Milton Banana é o músico que inventou o estilo de tocar bossa nova na bateria.

Um homem de gravação extremamente ocupado durante o primeiro período de bossa nova, ele gravou os históricos "Chega de Saudade" e "Getz-Gilberto" e gravou bastante com Tom Jobim e João Donato.

Ele também tocou pelas noites com Luís Eça, Johnny Alf, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Baden Powell, Sérgio Mendes, Luís Bonfá e Bola Sete, entre outros. Milton Banana começou a se interessar muito cedo pela música, especialmente a percussão, por ser um fã da Orquestra Tabajara.

Músico autodidata, logo ele estaria tocando com várias bandas dançantes e em 1955, ele se juntou ao grupo de Waldir Calmon, na boate de Arpège (Rio). Em 1956 ele uniu ao Luis Eça Trio, tocando na boate Plaza. Em 1959, Milton Banana estreou em gravação participando do primeiro álbum de João Gilberto, "Chega Saudade".

Em 1962, ele participou no importante espetáculo "Encontro" (produzido por Aluísio de Oliveira), junto com João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, e Os Cariocas, na boate Au Bon Gourmet (Rio).

Naquele mesmo ano, ele viajou para Buenos Aires com João Gilberto onde eles fizeram uma temporada na boate 676. Em novembro, ele foi para New York participar do show de bossa nova no Carnegie Hall. Em 1963, ele tocou bateria no "Getz-Gilberto" e viajou com João Gilberto, João Donato (piano) e Tião Neto (baixo) pela Itália e França.

Voltando ao Brasil, ele formou o seu grupo, o "Milton Banana Trio". Naquela época não era muito comum para um baterista conduzir seu próprio grupo. O trio que teve várias formações e gravou nove álbuns para Odeon e alguns a mais para a RCA.

Alguns desses ábuns foram reeditados como cd's, como são os casos de "Balançando com o Milton Banana Trio", "Sambas de Bossa: Milton Banana", "Os Originais: Milton Banana Trio" e "Ao Meu Amigo Tom".

Raphael Rabello

Raphael Baptista Rabello (Petrópolis, 31 de outubro de 1962 — Rio de Janeiro, 27 de abril de 1995) foi um violonista e compositor brasileiro, ligado ao choro e à música popular brasileira. É considerado um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos, sobretudo em sua especialidade, o violão de 7 cordas.

Ele participou de concertos e gravações com famosos músicos brasileiros, tais como Tom Jobim, Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Jacques Morelenbaum e Paulo Moura, João Bosco e também instrumentistas internacionais, como por exemplo Paco de Lucia.

Raphael Rabello nasceu em uma família musical: sua irmã Luciana Rabello se tornou conhecida com o seu cavaquinho, e seu primeiro professor de violão foi um irmão mais velho. Ele também tomou lições de violão com Jayme Florence (o famoso "Meira", que também deu aulas a Baden Powell nos anos 1940). Ele passou a tocar o violão de sete cordas influenciado por Dino 7 Cordas.
 Ele já tocava profissionalmente em sua adolescência; sua primeira aparição como coadjuvante foi aos 14 anos, em uma gravação de choro pelo violonista clássico Turibio Santos.
Apesar da insistência e admiração de Raphael, ele nunca teve aulas com o violonista Dino 7 Cordas, com quem gravou um álbum em 1991. Segundo o violonista Maurício Carrilho, nunca se soube porque Dino não aceitou Raphael como seu aluno. Raphael, por um tempo, dedicou-se somente ao violão de sete cordas, chegando, inclusive, a adotar o nome "Raphael 7 Cordas" (o mesmo nome de seu primeiro álbum). No início dos anos 1980, ele participou como instrumentista em famosas gravações de samba como por exemplo: "Minha Missão", de João Nogueira. Ele desenvolveu um ritmo de samba para violão que é reproduzido por diversos violonistas de hoje em dia.
“ Ele não tem limitações. Técnica, velocidade, bom gosto harmônico, um artista completo.”
— Dino 7 Cordas sobre Raphael
Últimos anos
Após um acidente de automóvel Rabello recebeu uma transfusão de sangue em que foi contaminado com o vírus HIV, contraindo a AIDS. No desespero da situação, recorreu às drogas, em especial à anfetamina, com a pressa de sempre melhorar para conseguir desenvolver uma carreira mundo afora.
Em 1994 Raphael Rabello deixou o Brasil, já com problemas com as drogas, e foi para os Estados Unidos com a perspectiva de expansão de sua carreira profissional. Chegando lá começou a lecionar em uma universidade de música em Los Angeles. Paralelamente começou a libertar-se das drogas. Mais tarde, porém, Raphael precisou voltar ao Brasil para breve trabalho aprovado pela Fundação Cultural Banco do Brasil: a realização de um disco resgatando a obra do compositor Capiba.
Já no Rio de Janeiro, como não mais residia na cidade, Raphael acabou se hospedando no Hotel Sheraton, em São Conrado e não na casa da família, como combinado anteriormente.
Em 1995 Raphael foi internado para tratamento de desintoxicação, morrendo um dia depois de ter sido avaliado pelo médicos como "ótimo".
Rabello teve dois CDs gravados em sua homenagem e uma escola batizada com seu nome. O último trabalho feito em sua homenagem, era o que ele se encontrava produzindo antes de sua morte: Um tributo a Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido por "Capiba" (1904–1997). Ele foi um dos arranjadores, também creditado como produtor, tocou grande parte do violão do disco e mesmo, cantou uma das canções. A lista de cantores convidados é realmente impressionante: Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Alceu Valença, João Bosco, e Ney Matogrosso.
Alguns violonistas manifestaram suas opiniões sobre Raphael Rabello:
“A música e o seu estilo único de tocar o violão fazem falta, apesar de termos admiráveis “sucessores” como o Yamandú Costa e o Alessandro Penezzi, dois monstros mas o Raphael tinha um estilo diferente, ele conseguia transitar por mundos diferentes dentro da música e não ficava preso ao mundo do violão instrumental, ele fazia parcerias fantásticas com grandes vozes da música brasileira." — Andreas Kisser, Sepultura”

“ O melhor violonista que eu já ouvi em anos. Ele ultrapassou as limitações técnicas do violão, e sua música vinha progressivamente de sua alma, diretamente para os corações de quem o admirava.”
— Paco de Lucia

“ "Raphael Rabello foi simplesmente um dos maiores violonistas que já existiu. Seu nível de introspecção no potencial do instrumento só foi alcançado, talvez, pelo grande Paco de Lucia. Ele foi ‘o’ Violonista Brasileiro de nosso tempo, na minha opinião. Sua morte, em uma idade ainda tão jovem é uma perda incrivelmente dolorosa, não apenas pelo que ele já tinha feito, e sim pelo que ele poderia vir a fazer." — Pat Metheny”

“Raphael Rabello foi um dos mais notáveis violonistas de todos os tempos. A sua "pegada" era muito expressiva e confiante, com interpretações vibrantes e técnica exuberante. A contribuição dele foi essencial, deixando uma das mais ricas e memoráveis páginas na história do violão brasileiro." — Marco Pereira”

“Se o violão tem se estabelecido mais uma vez como a principal voz instrumental da música moderna brasileira, muito do crédito pode ser dado a Raphael Rabello…" — Mark Holston, Guitar Player Magazine”

“"Ele foi um incrível violonista. Eu nunca vi igual… ele foi único." — Francis Hime, Guitar Player Magazine”

“" Esse é um dos melhores violonistas que eu já ouvi." — Lee Ritenour, JazzTimes Magazine”

“" Raphael era um amigo muito próximo. Quando eu o conheci, eu fiquei impressionada com o seu talento. Eu estava estonteada pela sua genialidade." — Gal Costa”

Daniel Marques

Daniel Marques (Rio de Janeiro, 06 de março de 1979) é um violonista e guitarrista brasileiro, além de trabalhar como compositor, arranjador e produtor. É considerado um dos nomes mais importantes da música brasileira da nova geração.

Atualmente vive em Berlim e é professor na "Global Music Academy",  escola inovadora voltada à world music. Também está listado como professor internacional na "International Arts Academy" na Grécia.

Considerado pelo jornal "O Globo" um dos novos representantes do violão no Brasil, anteriormente Daniel graduou-se no curso de bacharelado em violão da UFRJ e possui o título de Mestre pela mesma Universidade com a tese “O violão no Frevo: uma linguagem em construção”. Depois foi professor dessa faculdade antes de se dedicar exclusivamente a sua carreira solo e consequentemente colher reconhecimento internacional como artista.

Diversos violonistas brasileiros vêm explorando possibilidades do sete-cordas em territórios fora do choro, como é o caso de Marques, que desenvolveu uma técnica de contraponto bastante peculiar, em que executa os baixos simultaneamente aos acordes, feitos nas vozes agudas.

Já apresentou workshops em escolas de música dentro e fora do país.
Carreira

​Como líder da Orquestra Frevo Diabo, ganhou em 2010 um dos mais expressivos prêmios da musica no país, o “Prêmio da Música Brasileira” - ex-Prêmio TIM – na categoria ‘regional’. Seu último álbum em duo com o saxofonista Rodrigo Ursaia foi listado em 2016 como um dos melhores instrumentistas do ano.

Participou de programas de TV como "Estúdio I", "Som Brasil", "Domingão do Faustão", entre outros. Tocou e gravou com artistas da música brasileira: Hermeto Pascoal, Paulo Moura, Guinga, Carlos Malta, Gabriel Grossi, Paula Santoro, Thiago Amud, Sérgio Krakowski, Robertinho Silva, Zé Paulo Becker, Junior Tostoi, Gilson Peranzzetta, Armandinho, UFRJazz, Nicolas Krassik, Jovino Santos Neto, entre outros.

Sua trajetória inclui também ter tocado ou dividido a noite em festivais pelo mundo com nomes internacionais: Randy Brecker, Stanley Jordan, John Williams, Paco de Lucia, Yamandu Costa, Charlie Hunter, Incognito, Dmitri Illarionov, Dominic Miller, Elena Papandreou, Roland Dyens, Marcin Dylla...

Além de visitar também a Ásia (China e Índia), já se apresentou em mais de 100 cidades em vários países Europeus: Itália, Portugal, Alemanha, Rússia, Polônia, Finlândia, Dinamarca, Suécia, Estônia, Alemanha, República Tcheca, Lituânia, Montenegro, Macedônia e Sérvia participando em diferentes festivais. O músico também excursionou nos EUA, apresentando-se no renomado festival SXSW Festival assim como em outros festivais e clubes em Chicago, São Francisco, Los Angeles, Nova Iorque e Filadélfia.

Desde 2008, se apresenta em concertos no aniversário da princesa Viktoria da Suécia.

 Apresentou-se no Tampere Guitar Festival, na Finlândia, na mesma noite em que o violonista clássico John Williams.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Bola Sete

Djalma de Andrade (Rio de Janeiro, 6 de Julho de 1923 - Greenbrae, California, 14 de fevereiro de 1987), mais conhecido como Bola Sete, foi um músico brasileiro.
Bola Sete foi o único filho homem entre seis irmãs, numa família muito pobre e muito musical. Aos seis anos, começou a tocar cavaquinho e, aos nove, ganhou seu primeiro violão. Aos 10 anos foi adotado por um casal de classe média alta, com o qual conheceu a música clássica. Quando a Segunda Guerra Mundial estourou, o casal enviou Bola Sete para uma fazenda no interior do país, na tentativa de evitar que fosse recrutado. Lá, Bola Sete travou contato, pela primeira vez, com a música folclórica brasileira, ao mesmo tempo em que continuava a tocar violão clássico. Na volta ao Rio de Janeiro, com pouco mais de 20 anos, estudou na Escola Nacional de Música e foi contratado pela Rádio Nacional, onde acompanhava cantores e participava de regionais, pequenos grupos e orquestras. Passou, também, um período curto em São Paulo, buscando se aperfeiçoar no violão. Dessa época fica um curioso comentário de Zé Menezes, também violonista da Rádio Nacional, segundo quem Bola Sete era “um bom guitarrista, dos três [Zé Menezes, Garoto e Bola Sete] o mais fraquinho, mas ele era muito caprichoso, chegou a assimilar as coisas e depois ficou muito bom. Era muito nervoso, mas realmente era muito bom. Estudou muito comigo, ia na minha casa, a gente almoçava junto. O Bola Sete, eu comecei gravando com ele, a gente tocava só o regional. Ele não tinha leitura... “. Na década de 1960, foi aluno do maestro Moacir Santos, a exemplo de nomes como Baden Powell e Eumir Deodato, entre muitos outros. Ao longo de toda a sua carreira, existem relatos de uma forte dedicação ao estudo. Mesmo nos últimos anos de vida, já doente, sua mulher conta que estudava de quatro a seis horas por dia. Formou o grupo Bola Sete e Seu Conjunto que tinha como cantora Dolores Duran. No final dos anos 50 mudou-se para os Estados Unidos, onde fez uma carreira de sucesso e viveu até a sua morte em 1987.
Discografia
Bola Sete e 4 trombones (1958)
O Extraordinário Bola Sete (1962)
Vince Guaraldi, Bola Sete and Friends (1963)
Tour de Force (1964)
From All Sides (with Vince Guaraldi) (1964)
The Solo Guitar of Bola Sete (1965)
The Incomparable Bola Sete (1965)
Live at El Matador (with Vince Guaraldi) (1966)
Autentico (1966)
At the Monterey Jazz Festival (1967)
Shebaba (1969)
Working on a Groovy Thing (1976)
Ocean (1981)
Jungle Suite (Dancing Cat) (1985)
Ocean Memories (Samba Moon) (1999)
Shambhala Moon (Samba Moon) (2001)
Live at Grace Cathedral (Samba Moon) (2003)