quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Durval Ferreira

Durval Ferreira (Durval Inácio Ferreira), arranjador, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro em 26/1/1935, e faleceu na mesma cidade em 17/6/2007. Começou a aprender violão com a mãe, que tocava bandolim, e desde então interessou-se por música, estudando sozinho. Mais tarde se aperfeiçoaria no contato com músicos como João Donato, Luís Eça, Johnny Alf, Cannonball Adderley, Herbie Mann, Tom Jobim e outros.

Em 1958 fez sua primeira composição, Sambop (com Maurício Einhorn) gravada dois anos depois por Claudete Soares no LP Nova geração em ritmo de samba (Copacabana). Em 1959 apresentou-se pela primeira vez em público no festival de bossa nova realizado no Liceu Franco-Brasileiro, do Rio de Janeiro, e em seguida em espetáculo da Faculdade de Arquitetura; nessa época, organizou seu primeiro conjunto e acompanhou a cantora Leny Andrade.

Em 1962 integrou o conjunto de Ed Lincoln e, como guitarrista, tocou no Sexteto Bossa Rio, de Sérgio Mendes, durante o Festival de Bossa Nova, do Carnegie Hall, de Nova Iorque, EUA. Três anos depois foi violonista do conjunto Tamba Trio em gravações, participando ainda do conjunto Os Gatos, com o qual gravou o LP Aquele som dos Gatos (Philips), e, em 1966, Os Gatos (Philips),incluindo sua composição E nada mais (com Lula Freire).

Compôs a trilha sonora de Estranho triângulo, direção de Pedro Camargo, e participou, em 1968, do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, com a música Rua d'Aurora (com Fátima Gaspar e Tibério Gaspar). Tem inúmeras composições gravadas por artistas brasileiros e norte-americanos, destacando-se Batida diferente (com Maurício Einhorn), gravada por Roberto Menescal e seu Conjunto, na Elenco, pelo Tamba Trio, na Philips, e com várias outras gravações no Brasil e exterior.

Tristeza de nós dois (com Maurício Einhorn e Bebeto), gravada em 1962 pelo conjunto de Sérgio Mendes e também com inúmeras gravações: Estamos aí (com Maurício Einhorn e Regina Werneck), 1963, gravada por Leny Andrade, na Odeon; Nuvem, com o mesmo parceiro, gravada pelo conjunto Os Gatos, de Eumir Deodato, na Philips.

Sua composição com Maurício Einhorn e Hélio Mateus, Avião, foi uma das últimas gravações do cantor Agostinho dos Santos, antes de sua morte em acidente aéreo. Participou, como jurado, do III e IV FIC, produziu as vinhetas da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, sozinho (FM) e em parceria com Orlandivo (AM). Foi diretor artístico da CID.

Heraldo do Monte

Heraldo do Monte (Recife, 1 de maio de 1935) é um compositor, arranjador e instrumentista brasileiro. Toca guitarra, cavaquinho, viola e contrabaixo. É de grande importância histórica na música instrumental brasileira.

Heraldo começou na música tocando clarineta no colégio. A clarineta era o único instrumento disponível e com ele Heraldo lutou por uma semana sem conseguir tirar qualquer som. Até que seu professor, ligeiramente irritado, empunhou o instrumento para lhe mostrar como tocar e percebeu que havia algo errado. Um colega, pregando uma peça, havia enfiado uma flanela no tubo da clarineta.

Heraldo seguiu seus estudos no instrumento e logo sentiu a necessidade de um instrumento harmônico. Usando os métodos para clarineta aprendeu sozinho a tocar o violão, intuindo os acordes.

Aprendeu também a tocar cavaquinho e viola caipira e comprou uma guitarra para começar a ganhar a vida tocando nas casas noturnas de Recife. Pouco tempo depois partiu para São Paulo onde se empregou na TV Tupi acompanhando os músicos que se apresentavam na emissora. No ano de 1966 entrou para o então Trio Novo, que veio a se tornar um Quarteto Novo. Nesse quarteto tocavam outros brilhantes músicos. Heraldo tocava guitarra; Théo de Barros, contrabaixo; Hermeto Pascoal, piano e flauta; Airto Moreira, bateria e percussão. Com elementos jazzísticos numa sonoridade fortemente brasileira (principalmente nordestina) introduziram elementos inovadores à música instrumental feita à época.

O quarteto foi responsável pelos arranjos e a apresentação das músicas Ponteio (Edu Lobo) e Disparada (parceria de Geraldo Vandré e Théo de Barros) em festivais da Record. A convite de Edu Lobo, o quarteto parte para a Europa para sua primeira turnê internacional. Com a ida de Airto Moreira para os EUA o quarteto ainda se manteve por um curto período com o baterista Nenê.

Gravou três discos nos três anos seguintes ao fim do quarteto, 1970 a 1972. Ainda na mesma década gravou o álbum O Violão de Heraldo do Monte. Só voltaria a gravar quase dez anos mais tarde ao lado de Elomar, Paulo Moura e Arthur Moreira Lima o disco ConSertão. Nos anos oitenta gravou ainda os discos: Heraldo do Monte, Cordas Mágicas, Cordas Vivas e, passada mais uma década, gravou o cd Viola Nordestina (em 2004). Com direção musical e produção de seu filho. o guitarrista Luis do Monte, gravou o CD Guitarra Brasileira, com temas inéditos e compostos exclusivamente para o projeto, Heraldo cria um mosaico com os estilos brasileiros separados por suas respectivas regiões. Heraldo do Monte já foi considerado por Joe Pass o melhor guitarrista do mundo. Gravou ao lado de Elis Regina, Quinteto Violado, Michel Legrand, Zimbo Trio, Hermeto Pascoal e outros, além de se apresentar em grandes festivais de música ao redor do mundo, como em Montreux, Montreal e Cuba.

Discografia
1960: Heraldo e seu Conjunto
1961: Dançando com o Sucesso
1962: Dançando com o Sucesso 02
1970: O violão de Heraldo do Monte
1976: Batida Diferente
1980: Heraldo do Monte
1982: ConSertão (com Elomar, Arthur Moreira Lima e Paulo Moura)
1983: Cordas Vivas (part. especial: Hermeto Pascoal)
1986: Cordas Mágicas
2001: Viola Nordestina
2004: Guitarra Brasileira
2004: MPBaby - Moda de Viola
2007: Heraldo do Monte
2016: Heraldo do Monte

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Arismar do Espírito Santo

Arismar do Espírito Santo (Santos, 9 de julho de 1956) é um músico e multi instrumentista brasileiro completo. Além de tocar contrabaixo, guitarra, violão, piano e bateria, faz composições e arranjos harmônicos muitas vezes inusitados.Arismar transita com impressionante desenvoltura por diversos estilos, seja jazz, samba, choro e até rock. “Não sou dessa vertente, mas sei tocar”, diz.

Em 1998, pela Revista Guitar Player, foi eleito um dos dez melhores guitarristas do Brasil.

A família de Arismar é muito musical. Sua mãe, de nome artístico Aracy Lima, foi cantora da Rádio Atlântica de Santos. Seu irmão Paulo Roberto é músico, compositor e arranjador; seu filho, Thiago Espírito Santo, é contrabaixista, e sua filha, Bia Goes, é cantora.

Nos primeiros anos de vida, já brincava com os acordes. “Mas toda criança toca um violão como um contrabaixo, porque puxa a corda”. Aos 11 anos, Arismar já sabia tocar violão. Por gostar demais do compasso das escalas musicais, decidiu pesquisar as batidas da bateria como autodidata. “Aos 16, fui para a bateria. Daí, não parei mais”, diz ele.

Aos 17, aceitou o convite para ser baterista de uma banda na Baiúca, então famosa casa noturna de São Paulo.

Ainda na década de 1970, atuou, em shows e gravações, com com vários artistas e grupos brasileiros, como Hermeto Pascoal, Toninho Horta, César Camargo Mariano, Sebastião Tapajós, e outros.

Em 1993, lançou seu primeiro álbum solo, em formato LP, intitulado Arismar do Espírito Santo, que seria relançado em 2003, em CD, com o nome Arismar do Espírito Santo: 10 anos.

Toquinho

Toquinho nasceu em São Paulo (Brasil), no dia 6 de julho de 1946 com o nome de Antonio Pecci Filho. Quando ainda era pequeno sua mãe o chamava de "meu toquinho de gente". E o apelido Toquinho permaneceu, identificando-o depois como um dos mais expressivos artistas da música popular brasileira.

Desde cedo demonstrava interesse pelo violão. Aos 14 anos já tinha aulas com seu principal mestre, Paulinho Nogueira, que o introduziu no caminho do violão que compreende a descoberta da passagem do acompanhamento para o solo.

Com Edgard Gianullo, enriqueceu conhecimentos harmônicos, e aprimorou esses conhecimentos em função da amizade com Oscar Castro Neves.

O estilo de Baden Powell tornou-se irresistível ao então iniciante Toquinho, que, a fim de burilar a própria personalidade como violonista, buscou em Isaias Sávio a intimidade necessária com o violão clássico. Já compositor, fez um curso de orquestração com Léo Peracchi.

Das apresentações amadoras em clubes, colégios e faculdades, ainda na adolescência, chegou ao profissionalismo fazendo parte do grupo aflorado nos inigualáveis anos 60: Elis Regina, Zimbo Trio, Marcos Valle, Bossa Jazz Trio, Taiguara, Ivete, Tuca, Geraldo Cunha, Chico Buarque, entre outros. O radialista Walter Silva soube como reunir essa turma, aproveitar e expandir seus talentos em marcantes shows no palco do Teatro Paramount.

Nesse palco, apenas como instrumentista e acompanhante, confirmou-se a carreira profissional de Toquinho, lastreada rapidamente por outros palcos em montagens musicais, tais como: "Na Onda do Balanço" (Teatro Maria Della Costa, 1964), ao lado de Taiguara, do flautista Thommas Lee e do Manfred Fest Trio; "Liberdade, Liberdade" (Teatro Maria Della Costa, 1965), com Paulo Autran, Theresa Raquel, Oduvaldo Viana Filho e Cláudia, sob a direção musical de Toquinho; e "Esse Mundo é Meu" (1965), que incluia Sérgio Ricardo, Toquinho e Manini, microrevista musical estreada na boate Ela, Cravo e Canela, transferida depois para o Teatro de Arena.

Toquinho cultiva até hoje com Chico Buarque uma forte amizade iniciada aos 17 anos, época em que compuseram juntos a canção "Lua cheia", a primeira melodia de Toquinho a receber uma letra, e que se constituiria, em 1967, na sua primeira canção gravada em disco, no LP da RGE, Chico Buarque de Holanda – Volume 2.

No ano de 1966 experimentaria a emoção de ter seu primeiro LP gravado pela Fermata, um LP instrumental: O Violão do Toquinho. Assina contrato com a Excelsior para o programa "Ensaio Geral", comandado por Gilberto Gil, e depois participa dos grandes musicais da TV Record e de seus importantes Festivais da Canção Popular.

Em 1968, compôs com Paulo Vanzolini a canção "Na boca da noite", que, interpretada por Ivete e o conjunto vocal Canto 4, ficou em 8º lugar na fase nacional do 3º Festival Internacional da Canção Popular.

Em maio de 1969 Toquinho viaja para a Itália e acaba permanecendo por mais de 6 meses ao lado do amigo Chico Buarque. Ao longo desse período, entre tantas apresentações nos mais inusitados locais da península, desde castelos medievais até cantinas suburbanas, conseguem realizar uma temporada de 45 shows por toda a Itália. Faziam a 2ª parte de um espetáculo que tinha como estrela principal a famosa Josephine Baker.

Regressando ao Brasil, gravou, no início de 1970, seu 2º LP pela RGE, no qual consta seu primeiro grande sucesso, de parceria com Jorge BenJor: "Que maravilha".

Durante sua permanência na Itália, em 1969, Toquinho deixara a qualidade de seu violão registrada no LP La Vita, Amico, É LArte DellIncontro, com a participação do poeta italiano Giuseppe Ungaretti dizendo poesias e de Sergio Endrigo cantando músicas de Vinícius de Moraes, tudo em italiano, numa homenagem ao grande poeta brasileiro. Nesse disco, o violão de Toquinho faz um alinhavo musical entre as poesias e as músicas.

Pois foi baseado nesse trabalho do violonista que Vinícius de Moraes lhe convidou, em junho de 1970, para acompanhá-lo, ao lado de Maria Creuza, numa série de shows na boate La Fusa, em Buenos Aires.

Esse encontro profissional entre Vinícius de Moraes e Toquinho se alastraria por 11 anos de uma parceria que encantou o Brasil e o mundo com uma constante produtividade nos mais variados sentidos da música: criaram cerca de 120 canções, gravaram em torno de 25 LPs no Brasil e no exterior, atuaram em mais de 1.000 shows por palcos brasileiros, europeus e latino-americanos.

Inauguraram, a partir de 1971, os Circuitos Universitários, apresentando-se em Universidades do norte ao sul do país, e foram os primeiros a produzir trilhas sonoras para novelas de TV.

Momentos dignificantes dessa parceria Toquinho/Vinícius: o LP RGE La Voglia, La Pazzia, LIncoscenza, LAllegria, de 1976, gravado na Itália com a participação de Ornella Vanoni; o show do Canecão, no Rio de Janeiro, em 1977, com Tom Jobim, Vinicius, Toquinho e Miúcha, espetáculo que mantém, até hoje, os recordes de público e de duração (7 meses) naquela casa; e o show "Dez Anos de Toquinho e Vinicius", em 1979.

À margem de sua parceria com Vinicius de Moraes, cultivou Toquinho outros parceiros musicais. Musicou com Gianfrancesco Guarnieri "Castro Alves Pede Passagem", em 1971 e "Um Grito Parado No Ar" e "Botequim", em 1973. As músicas dessas três peças foram condensadas no LP RGE, Botequim, lançado em 1973.

Em 1974, lança no Brasil o disco RGE Toquinho na boca da noite, e, em 1976, grava na Itália, pela Cetra, um disco de solos de violão: Toquinho - Il Brasile nella chitarra.

Os anos de 1977 e 1978 foram marcados por dois LPs da Philips: Toquinho Tocando, instrumental, e Toquinho Cantando, tendo como parceiros, neste último, Carlinhos Vergueiro e Belchior. Em 1979, para comemorar os dez anos de parceria com Vinícius, em função do show que faziam, foi lançado o disco Philips Dez Anos de Toquinho e Vinícius.

Em 1980, Toquinho, Francis Hime e Maria Creuza excursionaram pelo Brasil, em mais de 90 apresentações.

No final desse mesmo ano, Toquinho apresentou-se em Buenos Aires e em várias cidades da Argentina, além de lançar aquele que viria a ser seu último disco com Vinicius: Um Pouco de Ilusão, pela Ariola.

Em 1981, junto com a cantora Jane Duboc, participou da temporada de inverno da Itália, em Roma, Milão, Firenze e Turim. No mesmo ano, participou do Festival de Montreux, seguindo dali para a temporada de verão na França, onde se apresentou no Olimpia.

Ainda em 1981, rodou pelo Brasil ao lado de Jane Duboc com o show Doce Vida, e lançou o disco com o mesmo nome, pela Ariola.

No começo de 1982, Toquinho cumpriu várias apresentações em Bogotá e Cali, na Colômbia, e, no segundo semestre, foi para a Itália para uma série de shows.

No mesmo ano, Maurizio Fabrizio, compositor italiano, veio para o Brasil e ficou duas semanas compondo com Toquinho algumas das músicas do LP Acquarello, da etiqueta Maracanã, lançado em San Remo, e que deu a Toquinho um Disco de Ouro, tornando-o o único artista brasileiro a conseguir tal feito no exterior.

Ainda em 1982 voltou a se apresentar no Festival de Montreux ao lado de outros artistas brasileiros.

Em 1983, gravou no Brasil o LP Aquarela, pela Ariola, o 35º disco de sua carreira, e que mostra seu relacionamento descontraído com a música e a fonte de sua arte: o violão.

Ainda nesse mesmo ano, conduz o espetáculo "Canta Brasil" no Teatro Sistina, de Roma, mostrando, numa síntese, a história da música popular brasileira, contando com a participação de músicos de primeira grandeza, como Branca de Neve, Papete, o velho Marçal da Portela, Mutinho, Luizão, Rafael Rabello, Luciana Rabello, Dominguinhos e um coro formado pelas vozes de Guadalupe, Silvia Maria, Bel e Eliana Estevão.

Ainda em 1983, conclui com o baterista Mutinho um novo trabalho dedicado às crianças: o LP Philips Casa de Brinquedos.

1984 é o ano de Sonho Dourado, disco produzido pela Barclay e show do mesmo nome, em que Toquinho aparece solidificando ainda mais sua carreira solo.

Em 1985, Toquinho cria o LP A Luz do Solo, da gravadora Barclay, um trabalho essencialmente instrumental, e se apresenta sozinho, ele e violão, tocando, inclusive, músicas dos The Beatles.

Em 1986, lança o LP Coisas do Coração, também pela Barclay, e atua na Itália, Colômbia, Córsega e Japão, onde faz várias apresentações ao lado do saxofonista japonês Sadao Watanabe.

Nesse mesmo ano produz em parceria com Elifas Andreato 10 músicas retratando a Declaração Universal dos Direitos da Criança, lançadas no LP Philips Canção de Todas as Crianças.

Em 1987 retorna ao Japão para uma série de shows em Osaka, Kobe, Kyoto e Tóquio. Apresenta-se no "Bravas Club Festival", promovido por Watanabe, ao lado de nomes como Vicktor Lazio, The Andy Narell Group, Bill Brufford Quartet, Working Week, Pierre Borrough, Karizana, Jeff Lorber Group, Nick Plyntas, Yellowjackets.

Lança o LP Vamos Juntos, gravado durante os shows no Bravas Club, com participação de Sadao Watanabe. Excursiona 20 dias pela Espanha tocando em Madrid, Barcelona, Aviles, Saragoza, Pamplona e outras cidades.

Grava uma versão de "Aquarela" para o espanhol em dueto com a grande cantora mexicana Guadalupe.

Ainda em 1987, vai três vezes para o Chile, apresentando-se em Santiago e Viña de Mar. Um dos shows é transmitido pela Rede Nacional de TV do Chile para toda a América Latina durante o concurso de Miss Chile.

Em 1988 excursiona por todo o Brasil e faz uma temporada no 150 Night Club do Maksoud Plaza com o show "In Concert". Faz shows em Quito, Santiago e Caracas. Com o show "Made in Coração" apresenta-se em circuito nacional, com destaque para uma temporada de duas semanas no Palace, em São Paulo.

Inicia o ano de 1989 com uma apresentação solo a bordo do navio Eugênio C. Em seguida se apresenta em diversas capitais do Brasil e em Porto Rico, no Caribe. Em julho viaja para o Japão, atuando em Kyoto, Tóquio e grava um especial para a TV japonesa Fuji.

Ainda no final de julho embarca para a Europa, realizando shows em Barcelona, Sevilla e Córdoba, na Espanha. Em Paris, apresenta-se na comemoração do bicentenário da Revolução Francesa.

Agosto de 1990 é o mês do lançamento do 42º LP de sua carreira: ÀSombra de um Jatobá, da BMG-Ariola. Nesse disco Toquinho mescla vários estilos musicais, de baladas à Steve Wonder até o samba rasgado à Clara Nunes. Conta com participações especiais de Fagner e Eliana Estevão. Ainda em 1990 excursiona por todo o Brasil e retorna à Itália para mais uma temporada de sucesso.

Inicia 1991 com um novo giro pela Itália. No Brasil, realiza uma temporada de 5 semanas no Palladium/SP, além de diversas apresentações pelo país. No final deste mesmo ano, lança na Itália o LP O Viajante do Sonho, pela BMG-Ariola.

Em 1992 lança o LP O Viajante do Sonho na Espanha, em toda a América Latina e no Brasil. Realiza ainda vários shows pelo Brasil, em especial uma turnê por ocasião do lançamento da Fórmula Shell. Viaja também para o Chile, onde retoma um trabalho iniciado naquele país há 8 anos.

Em 1993, a BMG-Ariola produziu para o mercado italiano uma coletânea organizada pelo próprio Toquinho e o diretor da Editora RCA, Angelo Franchi, em CD e dois cassetes, incluindo 20 gravações representativas da carreira de Toquinho. Nesse mesmo ano, excursiona pela Itália, Espanha e principais capitais do Brasil com o espetáculo "Toquinho, Voz e Violão".

Em 1994, com esse mesmo espetáculo, retoma o contato com vários países da América Latina. Promove o show de lançamento do novo automóvel Gol, em Munique, Alemanha, junto com Ornella Vanoni. Também apresenta-se no Colony Theater, em Miami, com o show "O Viajante do Sonho". Lança o CD Toquinho - 30 Anos de Música, pela BMG-Ariola.

Em 1995, grava fita de vídeo para o mercado japonês com músicas de bossa-nova, com a participação de Tom Jobim, João Gilberto, Gal Costa, Carlos Lyra, entre outros. Apresenta-se ao lado de Sadao Watanabe no show "100 Anos de Amizade Brasil-Japão", no Palace e no Metropolitan.

Participa do "Umbria Jazz-Festival", em Milão, Itália, junto com Gilberto Gil. Lança no Tom Brasil, em São Paulo, o show "Toquinho - 30 Anos de Música", com direção de Fernando Faro. Em fins de 1995, apresenta o especial com o mesmo nome na TV Manchete, com participação de Chico Buarque, Gilberto Gil, Jorge BenJor, Lucio Dalla e Quarteto em Cy.

Em 1996 faz uma temporada com grande sucesso do show "Toquinho - 30 Anos de Música", no Palladium. Ganha dois prêmios Apetesp de Teatro nas categorias de melhor música composta e melhor trilha sonora para teatro infantil pela peça "Casa de Brinquedos".

Em junho desse mesmo ano sente a emoção de folhear toda essa carreira no livro "Toquinho - 30 Anos de Música", escrito por seu irmão, João Carlos Pecci, e editado pela editora Maltese. Enquanto isso, desenvolve seu livro de canções interativo em CD-Rom e prepara-se para nova excursão pela Europa. Trabalha também no relançamento em CD do disco Canção de Todas as Crianças, agora com a participação de vários convidados, entre os quais, Elba Ramalho, MPB-4, Belchior e Chitãozinho & Chororó, pela gravadora Movieplay. Segue em negociação o novo CD com arranjos de Bacalov.

No decorrer dos anos de 1998 e 1999, Toquinho apresentou-se na Espanha e em Portugal, tendo participado também do primeiro Festival Latino Americano, na Itália, com shows em Milão, Verona e outras cidades italianas, de norte a sul, cantando e tocando para mais de cinqüenta mil pessoas. Em fevereiro de 1999, foi convidado pela RAI UNO (TV italiana) para fazer parte do júri do Festival de San Remo ao lado do tenor José Carreras, do maestro Ennio Morricone e do famoso ator cômico Carlos Verdone. Em agosto, depois de muitos anos, Toquinho sentiu a emoção de tocar e cantar outra vez com Ornella Vanoni na maravilhosa “cornice” de Positano, perto de Napoli, na Costa Amalfitana. Numa noite memorável, com o palco armado praticamente sobre o mar, acompanhados apenas pelo violão, Toquinho e Ornella transformaram sua apresentação numa obra única, sendo aplaudidos por mais de dez minutos seguidos.

Fechando esse ciclo de atividades por cidades italianas no ano de 1999, Toquinho foi um dos protagonistas do espetáculo realizado em Bari, sul da Itália, na noite de 31 de dezembro, réveillon marcado por um fato fora do comum: a neve caía sobre a região após cinqüenta anos de ausência, em meio a um frio de congelar o sangue. Mesmo assim, as pessoas dançavam cantando músicas brasileiras sob o comando de Toquinho.

No Brasil, os anos finais do século passado destinaram a Toquinho realizações artísticas que sintetizaram homenagens, recordações, reencontros e novas parcerias. Vinícius de Moraes parecia estar vivo no palco do Metropolitan, no Rio de Janeiro, ao lado de Miúcha, Baden Powell, Carlos Lyra e Toquinho durante o espetáculo Vivendo Vinicius. Sob a direção de Miéle, o roteiro do show pontificava a forte sensação da presença do Poeta alinhavando momentos inesquecíveis com seus principais parceiros, três dos quais estavam lá, e Miúcha, uma espécie de porta-voz de Tom Jobim. O espetáculo ficou registrado ao vivo em dois CDs produzidos pela BMG, imortalizando interpretações individuais e em duo, como Toquinho e Lyra, Toquinho e Miúcha, Lyra e Miúcha, Baden e Miúcha, e Toquinho e Baden no solo primoroso de “Tua imagem”, de Canhoto da Paraíba, que os dois executaram juntos.

Em 2001, a Kau Laser/Biscoito Fino produziu e a Sony distribuiu o DVD da “biografia musical” de Toquinho, intitulado simplesmente Toquinho, contendo músicas e depoimentos, com participações especiais de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Chico Buarque, Quarteto em Cy e Paulinho Nogueira, que teve mais de vinte e cinco mil cópias vendidas, resultando daí o DVD de Ouro. Ainda em 2001, houve o lançamento feito pela Tom Brasil de três volumes da coleção Toquinho e Orquestra. Cada volume compreende um CD com músicas pinçadas do repertório de Toquinho abrangendo um tema diferente. Volume I, Mulher, Amor e Romantismo – 12 faixas; Volume II, Homenagens – 11 faixas; Volume III, Filosofia de Vida – 11 faixas.

O lançamento de coletâneas se sucedem no transcorrer da carreira de Toquinho. Em 2002 a Seleções Reader’s Digest lançou a coleção Toquinho, Amigos e Canções, compreendendo cinco CDs que registram setenta músicas das mais representativas da trajetória musical do artista.

Dando uma trégua às coletâneas, o ano de 2003 assinala o surgimento, após oito anos, de um novo CD de carreira de Toquinho, com músicas inéditas. Destacam-se desse trabalho, lançamento da Movieplay, a canção que dá título ao CD, “Só tenho tempo pra ser feliz”, e os sambas “Caso encerrado”, parceria com Paulinho da Viola, e “Esquece”, só de Toquinho. Porém, a verdadeira obra-prima do disco conta com a colaboração de Mutinho, o parceiro dos temas familiares, e traduz momentos de profundo carinho, amor e dedicação vividos por Toquinho, que representam todo fascínio que só uma filha é capaz de exercer sobre um pai: “Canção pra Jade”.

Entendendo a arte como essência da vida, de padrinho musical Toquinho transformou-se em parceiro do Projeto Guri, tendo gravado em 2002 o CD Herdeiros do futuro com treze canções de seu repertório que revelam o mistério, a fantasia e as descobertas do universo infantil, contando, em cada faixa do disco, com a participação de jovens integrantes das orquestras formadas nas unidades de Indaiatuba e Mazzaropi e mais vinte componentes do Coral de Osasco. Esse CD foi lançado em dezembro de 2002, num emocionante espetáculo realizado na Sala São Paulo. Sem dúvida, uma homenagem aos que acreditam na transformação pela arte e sonham com um mundo melhor.

Em novembro de 2003, o clipe animado “Aquarela” conquistou o “Liv Ullmann Peace Prize”, prêmio concedido pelo juri do Chicago International Children’s Film Festival, o maior e mais antigo festival de filmes infantis do mundo, cujo critério é conceder o primeiro lugar ao filme que traduz de forma mais sensível o desejo de paz e harmonia entre as crianças. Além desse prêmio, o clipe “Aquarela” alcançou o segundo lugar na categoria animação infantil do Anima Mundi 2003. Por sua vez “A Casa” foi escolhida a melhor trilha sonora do Anima Mundi 2004, e “O Pato” obteve o segundo lugar na categoria animação brasileira no mesmo festival.

Aqueles que acompanham Toquinho nessa sua viagem musical ao mundo infantil, puderam, a partir do ano de 2005, expandir essa deliciosa sensação com o Box Toquinho no Mundo da Criança, lançamento de Circuito Musical e Mundo da Criança, distribuído pela Universal Music. Trata-se de uma composição 3 em 1, até agora inédita no mercado nacional, reunindo um DVD, um CD de áudio e uma faixa interativa com horas de conteúdo para crianças.

Em 2004, Toquinho voltou ao Canecão com o show “Só tenho tempo para ser feliz”, contando com uma convidada especial; Badi Assad. Desse espetáculo originou-se o DVD “Só tenho tempo para ser feliz”, lançado pela Biscoito Fino, que contou com as participações especiais de Yamandu, Leo Gandelman, Carlos Lyra e Carlinhos Vergueiro, além da própria Badi.

Em julho de 2004 participou do espetáculo realizado na Piazza di Siena, em Roma, com direção de Sergio Bardotti. O título do show: “Siamo tutti brasiliani” (Somos todos brasileiros”), promovendo o encontro inédito de grandes artistas brasileiros: Gilberto Gil, Toquinho, Jorge BenJor, Gal Costa, a italiana Fiorella Mannoia e a bateria da escola de samba Mangueira.

Em agosto de 2004, Toquinho iniciava a comemoração de seus 40 anos de carreira com um espetáculo ao mesmo tempo grandioso e intimista, apoiado por 17 músicos excepcionais.

O ano de 2004 assinala também na carreira de Toquinho a consecução de um projeto grandioso intitulado “A Bossa Nova não tem tempo nem idade”, idéia do produtor italiano Raimondo Moretti, incluindo três modalidades de trabalho: um CD duplo contendo 30 das mais representativas canções que caracterizam a Bossa Nova; um DVD com músicas e depoimentos de artistas que participaram do movimento; e um livro, escrito por João Carlos Pecci, narrando as fases mais importantes da Bossa Nova. Todo esse pacote musical começou a ser apresentado na Itália, com o CD, distribuído ela Universal Itália, e o DVD, pela Hobby & Work, no final de 2004. Por conta desse lançamento, Toquinho realizou dez shows por várias cidades italianas. No ano de 2005, o Projeto Bossa Nova foi lançado no Brasil, no Japão, na França e em Miami, através da distribuição da Emi Music Brasil.

Um outro projeto musical foi concluído por Toquinho no primeiro semestre de 2005, intitulado “Passatempo”, produzido pela empresária Lilia Cabral. Apaixonada por música, entre outros projetos culturais que apoiou, Lilia abraçou com entusiasmo a proposta da Circuito Musical de registrar em CD as primeiras referências e emoções musicais que Toquinho ouvia em sua infância e que até hoje cantarola e toca entre amigos. Esse CD, veiculado antes em circuito restrito, foi lançado no ano de 2006 juntamente com um DVD: uma visita aos velhos tempos, com imagens da infância do artista, trechos de gravações antigas interligando-se com fonogramas atuais.

Uma das atividades mais prazerosas de Toquinho é aquela praticada nos palcos, quando se apresenta só com seu violão ou acompanhado de sua banda. Dentre os muitos shows realizados no Brasil, em 2006, destacam-se alguns: o que reuniu Arthur Moreira Lima e Miúcha, em Vitória, no Espírito Santo; aquele apresentado para as crianças da Fundação Bradesco; e os que marcaram duas reinaugurações de teatros: do Teatro Paiol, em Curitiba – famoso pelos seus shows com Vinicius e Marília Medalha, em 1971; e do Teatro Coliseu, de Santos.

Por outro lado, já se tornaram rotineiras as apresentações anuais de Toquinho pela América do Sul e pela Europa. No Chile, em janeiro de 2006, realizou concertos acompanhado de sua banda em Viña del Mar, Pucón, Puerto Varas e La Serena. E, em novembro, esteve com o Zimbo Trio no Teatro Nacional de Santiago, com grande sucesso.

Nesse mesmo ano, nos meses de junho e julho, acompanhado de Silvia Goes (piano), Ivâni Sabino (baixo), Pepa D’Elia (bateria) e Vanda Breder (vocal), Toquinho iniciou suas apresentações nas Ilhas Canárias, passando por Las Palmas e Tenerife, partindo depois para a Espanha, apresentando-se em Palma de Mallorca, San Javier, Madri, Málaga, Valência, Córdoba, Barcelona e Vigo. Na seqüência, viajou para a Itália, apresentando-se em Chieti , Ferrara, Limena, Mascalucia, Milazzo, Bisceglie e Lamezia.

“Toquinho encara a música, a profissão, as relações, os conflitos, a vida enfim, com uma disposição jovial e um frescor que talvez só os poetas consigam ter. Ele mantém viva e ativa a capacidade de encantar-se”. Esse é um trecho do texto de apresentação do CD instrumental A vida tem sempre razão – Tributo a Toquinho, lançado pela Circuito Musical em 2006. Uma autêntica homenagem por parte de seus músicos mais freqüentes - Silvia Góes, (piano), Ivani (baixo) e Pepa (bateria) - resultado da amizade entre eles e Toquinho, retratando em 12 faixas um apanhado dos grandes sucessos do violonista em arranjos geniais e resultados harmônicos especiais. Há, também, uma música de Silvia Goes composta especialmente para este CD (“Seu Antonio”).

Esse CD vai muito além do merecido tributo a Toquinho. Pelas músicas contidas nele, consagrados sucessos de várias fases do artista, e pela forma de sua execução, ele é uma linda homenagem à delicadeza, evidenciada pela simplicidade extraída das teclas, das cordas e das baquetas, a harmonizar acordes suaves que contagiam e emocionam, tanto mais se se dispuser de um silêncio oportuno ao ouvi-los, expressão rítmica da intensa amizade que liga os três músicos ao grande compositor. A intenção desse CD é lançar uma nova luz sobre a obra de Toquinho. Há músicas conhecidíssimas, outras que podem estar em algum lugar na memória do ouvinte e outras ainda de que só o fã mais dedicado se lembra. Há também uma inédita, dedicada a ele, que pode vir a ganhar uma letra sua... Eis a relação das músicas: “A bênção, Bahia” (Toquinho/Vinicius de Moraes); “Aquarela” (Toquinho/Maurizio Fabrizio/Guido Morra/Vinicius de Moraes); “Menininha” (Toquinho/Vinicius de Moraes); “Seu Antonio” (Silvia Goes); “Tarde em Itapuã” (Toquinho/Vinicius de Moraes); “Sei lá”(Toquinho/Vinicius de Moraes); “Morena flor”/ “Tatamirô”/ “Canto de Oxum”/ “Meu Pai Oxalá” (Toquinho/Vinicius de Moraes); “O filho que eu quero ter” (Toquinho/Vinicius de Moraes); “Caso encerrado” (Toquinho/Paulinho da Viola); “Mais um adeus” (Toquinho/Vinicius de Moraes); “Pindorama Brasil” (Toquinho/Paulo César Pinheiro); “Como dizia o poeta”(Toquinho/Vinicius de Moraes/Albinoni)/ “Meu pranto rolou” (Raul Sampaio/Benil Santos/Ivo Santos)/ “Para viver um grande amor”/ “Regra três” (Toquinho/Vinicius de Moraes); e “Samba de Orly” (Toquinho/Chico Buarque/Vinicius de Moraes).

Em 2007, foram cerca de 120 shows pelo Brasil, além de Bogotá, Buenos Aires e Montevidéu, e das tradicionais excursões pela Espanha e Itália. Muitos shows com orquestras (Arte Viva, Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, Orquestra Sinfônica Heliópolis, Orquestra Sinfônica de Mogi Mirim), novos formatos de show – com Zimbo Trio, com Leila Pinheiro, com Trovadores Urbanos – e reencontros artísticos – com Jane Duboc, com Maria Creuza – marcaram este período.

O ano de 2007 marcou também pelas novas parcerias de Toquinho com o escritor chileno Antonio Skármeta, grande escritor e poeta chilenoautor do livro “El cartero de Neruda”, que inspirou o roteiro do filme “O carteiro e o poeta”. Estas parcerias, fruto de vários encontros do violonista com o escritor ao longo de dois anos, irão se transformar em CD, cujos arranjos serão entregues ao competente maestro Gilson Peranzzetta.

Outra nova parceria de Toquinho foi a música “Cosmonauta musical”, feita com o baixista, compositor e intérprete Kabelo, que trabalhou como roadie em sua banda por mais de 10 anos. Nesta música, ambos se homenageiam em versos, resultando uma canção bem-humorada e com muito balanço, gravada pelos dois no CD de Kabelo, Linguicity, lançado em abril de 2009.

A afinidade entre eles resultou em dois shows marcantes: um no SESC Santana, dia 19 de setembro de 2007, dia em que tocaram pela primeira vez a parceria, e outro no SESC Pompéia, dias 14 e 15 de fevereiro de 2009, com a presença sempre brilhante da violonista e cantora Badi Assad.

A excursão de Toquinho pela Espanha em 2007 foi, novamente, coroada de êxito. Com sua banda (Silvia Goes, piano; Ivâni Sabino, baixo; Eduardo Ribeiro, bateria, e Vanda Breder, vocal), além da participação da bailarina Adriana Telg, Toquinho percorreu praticamente todo o território espanhol, com shows em Valladolid , Barcelona, Girona, Aldaia, Castellón, La Coruña, Ourense e Jerez de la Frontera.

A turnê italiana de 2007 não poderia faltar. Com o apoio vocal de Naíma (cantora que já havia participado com Toquinho de uma faixa do CD Passatempo, de 2005) e instrumental de Silvia Goes (teclado), Ivâni Sabino (baixo) e Eduardo Ribeiro (bateria), Toquinho fez nove shows no país que o acolhe a cada ano com muito entusiasmo, apresentando-se em Catania, Ragusa, Palermo, Roma, Milano, Paestum, Brindisi, Napoli e Benevento.

Em 2007, Toquinho e MPB-4 começaram “por acaso” uma parceria de shows muito bem sucedida, iniciando com um espetáculo de três dias no Canecão, em 6, 7 e 8 de julho. a associação entre o violonista e o grupo vocal virou uma fórmula de sucesso que empolgava pela simplicidade do formato – eram apenas os cinco no palco – e pela qualidade do repertório. Depois do Rio, foram shows em São Paulo e por várias cidades de outros estados.

Toquinho e MPB-4 surgiram no cenário musical por ocasião dos memoráveis festivais da década de 1960 e consolidaram suas carreiras ao longo de mais de 40 anos. Toquinho, multiplicando sucessos criados em parceria sempre com talentosos e renomados letristas e esbanjando virtuosismo na execução de seu violão.

E o MPB4, composto por Magro, Aquiles, Miltinho e Dalmo, revelando-se cada vez mais um conjunto vocal preciso, correto, absolutamente atrelado ao cancioneiro nacional, intercalando grandes clássicos numa das mais expressivas discografias da MPB em termos de melodia, harmonia, arranjos vocais e letras.

O espetáculo é uma síntese da trajetória desses artistas, interpretando canções que o público aprendeu a gostar e a cantar junto.

Ressaltando homenagens a Vinícius de Moraes, principal parceiro de Toquinho durante 10 anos; e a Chico Buarque, que já chegou a considerar-se o “MPB-5”, pois o grupo foi seu acompanhante oficial durante uma década, gravando mais de 30 canções suas em todos esses anos.

Em 2008, a parceria prosseguiu, com shows por todo o Brasil, agradando cada vez mais ao público, com enorme sucesso.

A fórmula estava emplacando e a chance de gravarem um trabalho juntos virou realidade. Com o interesse da gravadora Biscoito Fino, e a produção executiva da Circuito Musical, foram realizados no Teatro FECAP, em São Paulo, os shows que geraram a gravação do CD e do DVD ao vivo Toquinho e MPB-4 – 40 Anos de Música.

O CD, lançado em dezembro de 2008, tem uma característica interessante: mostra o show do ponto de vista musical, não-linear, com cortes transversais no repertório, privilegiando a diversificação do material sonoro.

sábado, 11 de novembro de 2017

Dori Caymmi

Dorival Tostes Caymmi, mais conhecido como Dori Caymmi, (Rio de Janeiro, 26 de agosto de 1943) é um músico, cantor e compositor brasileiro, filho dos também músicos Dorival Caymmi e Stella Maris. Irmão da cantora Nana Caymmi e do flautista, cantor e compositor Danilo Caymmi. O músico reside em Los Angeles, nos Estados Unidos, desde o final dos anos 1980.

Além do pai famoso, a principal influência de Dori foi o movimento da Bossa Nova. Iniciou seus estudos de piano aos oito anos de idade, sob a tutela de Lúcia Branco e Nise Poggi Obino. Estudou teoria musical no Conservatório Lorenzo Fernandez e, em 1959, fez sua estreia profissional acompanhando ao violão a irmã Nana. Em 1960, tornou-se membro integrante do Grupo dos Sete (famoso grupo cênico capitaneado por Fernando Torres, em que compunha e executava música incidental para peças teatrais e teleteatros. Co-dirigiu e tocou violão na peça Opinião (1964) e Arena Conta Zumbi (1966), trabalhos de transição estilística entre a Bossa Nova e a moderna MPB. Foi produtor de discos de Edu Lobo, Eumir Deodato e Nara Leão, dentre outros, nessa fase.


A estreia fonográfica como compositor deu-se no disco "Luiz Eça e Cordas" (1964), do pianista Luizinho Eça, que naquele álbum gravou "Amando" e "Velho Pescador, compostas por Dori.

Sua canção "Saveiros", composta em parceria com Nelson Motta para o I FIC (Festival Internacional da Canção) em 1966 (TV Rio-Rede Globo), foi defendida por Nana Caymmi e sagrou-se a vencedora na disputa contra "O Cavaleiro", de Tuca e Geraldo Vandré. A parceria com Nelson Motta mostrou-se fecunda em outros sucessos, como "O Cantador" e "Minha Doce Namorada".

Seu primeiro disco, "Dory Caymmi" (1972), teve produção do maestro Lindolfo Gaya, arranjos do próprio Dori e músicos participantes do porte de Wagner Tiso, Tavito e Robertinho Silva, oriundos da efervescente banda Som Imaginário.

Dori passou a tocar e fazer turnês com o saxofonista americano Paul Winter no início dos anos 70. Também arranjou e produziu álbuns de Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil. Apesar de seu envolvimento com o então nascente movimento da Tropicália, ele próprio não compôs nem gravou nada nesse estilo devido a seu distanciamento pessoal da música pop americana, europeia e latina. Gravou com inúmeros artistas de fama internacional, como Dionne Warwick, Toots Thielemans, Oscar Castro-Neves e Eliane Elias, para citar apenas alguns.

Escreveu, arranjou e colaborou em numerosas trilhas sonoras para cinema e TV nos anos 70 e 80, com destaque para os filmes “Casa Assassinada” (1971), de Paulo César Saraceni, “Tati, a Garota” (1973), de Bruno Barreto e “O Duelo” (1974), de Paulo Thiago. Foi também diretor artístico da Rede Globo de Televisão, participando de novelas como “Gabriela”, em 1975, (com sua música “Alegre Menina” incluída na trilha, interpretada pelo então desconhecido Djavan) e “O Casarão” de 1976.

Seu trabalho mais importante, entretanto, foi a direção musical do seriado “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, para o qual contribuiu com diversos arranjos e composições. Ele sempre foi ligado à literatura brasileira (seu pai foi amigo e parceiro de Jorge Amado), o que influenciou na escolha por esses trabalhos.


Em 1989, após realizar uma série de projetos e arranjos com Sergio Mendes, Dori passa a morar em Los Angeles, nos Estados Unidos.

A empresa de Quincy Jones, a Quest Records, produziu alguns dos CDs do artista.

Dori Caymmi teve dois de seus CDs nomeados para o Grammy: Influências e Contemporâneos, além de ter conquistado dois Grammies latinos, de melhor CD de samba Para Caymmi 90 Anos e de melhor canção brasileira "Saudade de Amar", em parceria com Paulo César Pinheiro.

Dori Caymmi é torcedor do Fluminense Football Club.

Vera Figueiredo

Publicações nacionais e internacionais destacam a força da música de Vera Figueiredo: “Vera Figueiredo – que levou o som das florestas tropicais brasileiras para os clubes de concerto do mundo – fez uma apresentação com abordagem e frases que deixaram a todos boquiabertos”, escreveu T. Bruce Wittet para a revista Modern Drummer americana, sobre o Montreal Drum Fest (Canadá), no qual a baterista se apresentou. A revista inglesa Rhythm também fez menção à força de sua música, declarando, em ocasião de uma turnê da baterista pelo Reino Unido, que Vera Figueiredo era a Queen of Samba, a Rainha do Samba.

Dedicada a divulgar a música brasileira, tanto no Brasil quanto em terras estrangeiras, Vera Figueiredo já passou pela Escócia, Irlanda do Norte, Inglaterra, País de Gales, México, Chile, Itália, Espanha, Portugal, Argentina e Estados Unidos ministrando workshops, aulas, e apresentando shows e performances.
Vem se apresentando em importantes eventos direcionados à bateria e à percussão, entre eles Percfest Memorial Naco, Drum Ladies Fest e Italy PAS - Percussive Art Society (Itália), The Ultimate Drummers Weekend (Austrália), Mendoza International Drum Fest (Argentina), PercuSonidos Festival Internacional de Percusiones (México), AGP Drum Event (Luxemburgo), Days of Percussion (Suécia), Drum Fest - Primer Festival Internacional de Batería y Percusíon (Chile), Cape Breton International Drum Fest (Canadá), Kosa International Drum Event (EUA) e PASIC – Percusive Arts Society Convention (EUA). No Brasil, apresentou-se nos festivais PAS Brazil Chapter (Campinas/SP), Salão da Bateria (capital/SP), I Encontro Percussivo REC-PEC (Recife/PE), Girsl On Drums (Curitiba/PR) e Batuka! Brasil (capital/SP).

Na Alemanha, tocou na Musikmesse Frankfurt, no Dresdner Drum Festival e apresentou um workshop na escola Drumtrainer / PAC – Percussion Art Center (Berlim), ao lado do percussionista Dudu Tucci. Apresentou-se no La Rioja Drumming Festival, na Espanha, junto com Tommy Aldridge, Ray Luzier, Aquiles Priester, entre outros, e em Portugal, junto ao baterista Carlos Sobral. Vem ministrando masterclasses e workshops por diversas cidades brasileiras, entre elas São Paulo, Ribeirão Preto, Ipatinga, Salto, João Pessoa, Curitiba, Porto Alegre, Natal, Brasília e Rio de Janeiro.

Como integrante da Orquestra Avon, acompanhou diversos artistas, entre eles a americana Diana King e os renomados brasileiros Zélia Duncan, Nana Caymmi, Daniela Mercury, Milton Nascimento, Rita Lee, Leila Pinheiro e Margareth Menezes.

Vera Cruz Island, seu terceiro disco, marca um momento de maturidade de Vera como instrumentista e compositora: “Vera Cruz Island é uma espécie de álbum de fotografias da alma de Vera: intenso, com belas imagens e cheio de paixão pela sua arte” – Régis Tadeu (revista Batera & Percussão/ Brasil). “Sua música é poderosa e repleta de tradição” – Ken Micallef (Modern Drummer magazine – EUA). Baseado neste disco foi lançado, pela editora americana Hudson Music, o play-along Vera Cruz Island – Brazilian Rhythms for Drumset, conta com distribuição mundial e em formato e-book. Lançou também os discos Vera Figueiredo & Convidados e From Brasil.

Na área didática, lançou em DVD as aulas Ritmos Afro-Brasileiros & Influência Afro-Cubana e Os 40 Rudimentos, com legendas em inglês. Participou do DVD em comemoração ao 11° aniversário do The Ultimate Drummers Weekend, festival que acontece em Melbourne, na Austrália. O DVD também conta com as participações de Thomas Lang, John Blackwell Jr., Jimmy DeGrasso, Andrew Gander, Gustavo Meli, entre outros expressivos nomes da bateria.

Em 1990, fundou o IBVF - Instituto de Bateria Vera Figueiredo, que se tornou um importante centro de estudos da música da bateria e da percussão brasileira, localizado na cidade de São Paulo. Alguns anos depois, Vera criou a IBVF Produções, produtora dedicada à realização de eventos voltados à música. Um desses eventos é o Batuka! Brasil, que aparece na lista dos festivais conceituados voltados à bateria e à percussão. O festival vem acontecendo na capital de São Paulo, sendo que sua primeira edição aconteceu em 1996 e são quatorze realizadas, que resultaram no lançamento de dois discos com participação de artistas que se apresentaram no festival e bateristas vencedores do Concurso Nacional de Bateristas, que faz parte da programação do Batuka! Brasil.

Vera Figueiredo foi capa das edições #119 da Modern Drummer Brasil e da #143 da revista Batera & Percussão. Também foi capa da edição #106 da Modern Drummer Brasil, ao lado de Damien Schmitt, dom Famularo e Robby Ameen, por ocasião da publicação da cobertura de uma das edições do Batuka! Brasil.

Participou do clipe da banda NX4, gravou com o Kroma, um quarteto instrumental de guitarras formado, entre outros, por Heraldo Paarmann (Ex - Ultraje a Rigor). Fez parte da Sabian Brazilian Tour, apresentando-se em Vila Velha/ES e São Paulo, capital.

Entre 2000 e 2015, Vera Figueiredo trabalhou na TV Globo, no programa Altas Horas.

Contribui regularmente com a revista Modern Drummer Brasil. Vem apresentando o show Brasileira, com o Vera Figueiredo Trio, contando com Gê Côrtes (baixo acústico) e Marcos Romera (piano). O show é uma prévia do disco no qual Vera vem trabalhando, e já passou pelas unidades do SESC Consolação (Instrumental SESC Brasil), Campinas e SESC Sorocaba.

Em 2016, Vera Figueiredo passou pela Sardenha, Pescara e Verona, na Itália, apresentando workshops e masterclasses sobre ritmos brasileiros.

Atualmente, Vera Figueiredo é responsável pela curadoria do projeto do SESC Osasco, Ecos Musicais, que tem como objetivo estimular trabalhos autorais de artistas da cidade.

Vera Figueiredo é patrocinada pelas marcas Mapex Drums, Sabian Cymbals, Vic Firth Drumsticks, Evans Drumheads, Audix Microphones e Gope Percussion.

Eumir Deodato

Eumir Deodato (Eumir Deodato de Almeida), instrumentista, compositor, arranjador e regente, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 22/6/1943.

Já tocava acordeom, quando, aos 14 anos, entrou para a Academia de Mário Mascarenhas, onde estudou música com Hilda Comeira.

Dedicando-se também ao piano, começou a participar de concertos e a tocar em bailes, festas de formatura, clubes e boates.

Em 1959 trocou o acordeom pelo piano e passou a fazer parte do conjunto de Roberto Menescal, atuando em shows de bossa-nova, ao mesmo tempo que começou a compor.

Durante algum tempo tocou com o guitarrista Durval Ferreira e, em 1962, formou seu próprio conjunto, ao qual Roberto Menescal se integrou.

Tendo deixado o grupo, voltou a fazer arranjos, trabalhando nos primeiros discos de Marcos Valle e no Lobo bobo, primeiro sucesso de Wilson Simonal, tendo sido também arranjador free-lancer e organista exclusivo da Odeon.

Em 1964 fez os arranjos e regencia do LP Inútil paisagem, da etiqueta Forma, apresentando músicas de Tom Jobim, e também gravou o LP Os gatos, lançado pela Philips.

Dois anos depois, gravou o LP Os catedráticos/ataque, pela Equipe, com Ataque (de sua autoria) e Razão de viver (com Paulo Sérgio Valle).

Em 1967 foi para New York, EUA, a convite de Luiz Bonfá, para fazer arranjos de um disco seu com Maria Helena Toledo.

A seguir, fez os arranjos para o disco Beach samba de Astrud Gilberto, ocasião em que conheceu Creed Taylor, que lhe confiou seus outros contratados: Tom Jobim, Walter Wanderley,
Paul Desmond, Aretha Franklin, Frank Sinatra, Tony Benett, Roberta Flack.

Nessa época voltou-se para os estilos fusion e R&B(Rhytlim and Blues). No mesmo período, passou a criar jingles de grande sucesso.

Em 1972 gravou com João Donato o LP Donato/Deodato, considerado um clássico da fusão bossa-nova/latin jazz.

Com a etiqueta Equipe lançou, em 1973, os LPs Prelude, no qual fez grande sucesso seu arranjo para Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss (1864 - 1949), vendendo mais de 5 milhões de cópias; e Os catedráticos/73.

De 1979 a 1983 trabalhou com sucesso com o grupo KooI and The Gang.Em sua carreira artística, já acumulou mais de 15 discos de platina.